Quando eu gritar ninguém vai ouvir, quando eu estiver lá ninguém vai me ver, quanto eu lhe bater você não vai sentir e quando eu lhe ferir não vai doer.
Porque eu sou invisível.
Terça-feira 15 de abril
Querido diário,
Você não será escrito com uma caneta rosa choque em um caderno de bichinho, você será um breve registro preso em meu cérebro.
Acho que você não vai gostar de ser aprisionado na massa escura e sombria que reparto com Molly Collerman, uma garota de 13 anos pra lá de entediante (você não tem o direito de reclamar, se eu tenho que aguentar você também tem).
Mas acho que você precisa saber o que aconteceu na minha patética existência antes de eu começar aescrever criar você.
Acho que você não vai gostar de ser aprisionado na massa escura e sombria que reparto com Molly Collerman, uma garota de 13 anos pra lá de entediante (você não tem o direito de reclamar, se eu tenho que aguentar você também tem).
Mas acho que você precisa saber o que aconteceu na minha patética existência antes de eu começar a
Tudo começou há 13 anos, eu Molly nasceu à meia-noite de uma sombria sexta-feira 13 em Délia Lou Movement no Colorado.
Foi no momento em que o relógio soou a décima segunda badalada que eu me dei conta de que estava aprisionada no corpo da garota mais normal de todo os Estados Unidos.
Foi no momento em que o relógio soou a décima segunda badalada que eu me dei conta de que estava aprisionada no corpo da garota mais normal de todo os Estados Unidos.
Tudo bem, tenho quase certeza de que você ainda não entendeu muito bem o principio da coisa. É o seguinte, Molly possui duas personalidades: Eu e ela mesma, por isso é ela quem está no controle, afinal, eu sou só um alter-ego.
Voltando à história:
Eu vivi uma vida chata e entediante no corpo de Molly Collerman. Quer dizer, até que eu resolvi assumir o controle. Foi aí que eu finalmente consegui ser eu mesma, chega de cabelos loiros, chega de olhos azuis e chega de ser boazinha.
Fiz Molly ser expulsa da escola, insultei os amigos dela, joguei as coisas dela fora e transformei aquele corpinho de menina em minha máquina de matar.
Me mandaram para o reformatório.
Fui expulsa do reformatório.
E nunca mais voltei para a pequena cidade de Délia Lou Movement.
Quer dizer, até 2 anos atrás, quando estava de boa, passeando por Miami e um guarda me agarrou, me levou para a delegacia e falou que eu seria mandada de volta para o Colorado o mais rápido possível.
Entrei em pânico, se eu olhasse para o rosto de "meus pais", Molly voltaria a assumir o controle e eu retornaria ao pequeno e úmido espaço dentro da cabeça dela. Foi isso que aconteceu. E fim.
Tudo bem, na verdade esse não é exatamente o fim.
Depois de retornar para "o meu devido lugar", fiquei com muita raiva daquela garotinha insolente e resolvi bater com toda a minha força no cérebro dela. Eu bati tanto, mas tanto, que a pequena Molly Collerman morreu. Isso já faz 3 meses. Eu só estou aqui esperando o corpo dela se decompor debaixo da terra, depois disso eu simplesmente desaparecerei e ninguém nunca saberá que eu existi.
Obrigada por me ouvir diário, sinto muito não poder escrever mais. Acho que eu não merecia mesmo viver.
Do além-tumulo,

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Obrigada por ler minha história.
Aceito sugestões e criticas.